Cidade dos Afetos – O futuro das cidades, cidades do futuro

1. O início

No trabalho com as escolas foram definidos os afetos como o aspeto central a desenvolver no âmbito da educação sexual. A sua aplicação em experiências concretas abriu caminho para uma vasta utilização em vários contextos e ao desenvolvimento do movimento “Escola de Afetos, Escola de Sucesso”.

Alunos e professores saíram dos muros da escola e em conjunto com os serviços de saúde souberam envolver outros parceiros em todo o tecido da comunidade, quer entidades públicas, quer privadas. Consolidar este caminho exigiu um novo conceito, mais vasto, que se consubstanciou na bandeira “Cidade dos Afetos”. A maçã dos afetos que já era o símbolo da promoção da saúde nas escolas, transformou-se no símbolo da “Cidade dos Afetos”.

A “Maçã dos Afetos” foi a primeira grande iniciativa que se consolidou nas escolas e já abrangeu 9 dos 15 ACES da ARSLVT com a participação de centenas de escolas, milhares de professores e centenas de milhares de alunos. A sua exposição em espaços públicos de grande frequência deu uma dimensão comunitária à iniciativa.

O desenvolvimento do processo levou à proclamação das duas primeiras “Cidades dos Afetos” – Barreiro e Caldas da Rainha numa iniciativa conjugada dos respetivos Presidentes da Câmara e Delegados de Saúde. Estas quatro entidades constituíram-se assim como os promotores do alargamento desta iniciativa e irão apadrinhar todas as novas adesões.


2. Fundamentos e objetivos

A “Cidade dos Afetos” pretende chamar para o dia-a-dia das comunidades, os afetos como mecanismo fundamental de desenvolvimento alicerçado nos seguintes pressupostos:

a. Maior afetividade entre as pessoas diminui a violência, a agressividade gratuita e os conflitos inúteis, promovendo maior urbanidade, coesão social e tolerância, valores essenciais a uma comunidade desenvolvida.

b. O desenvolvimento de relações afetivas aos lugares, costumes e tradições locais permite a identificação das comunidades com as suas raízes e consequentemente a busca dum futuro assente nas potencialidades e recursos locais e numa perspetiva de desenvolvimento sustentável.

c. Uma terra sem passado é uma terra sem futuro, pelo que dar às novas gerações a dimensão da luta dos antepassados para a construir é uma forma de garantir a coesão cultural e o sentimento de pertença no futuro.


 3. Atividades

Por ser um movimento aberto à comunidade, as atividades poderão ser múltiplas e diversificadas. Da experiência recolhida poderemos tipificá-las em dois grupos fundamentais:

a. Atividades âncora – São aquelas que podem congregar toda a comunidade num tempo único, dando dimensão comunitária, visibilidade, intervenção diversificada, participação alargada, e que serão da iniciativa dos promotores, como é o caso do “Dia dos Afetos” ou da “Semana dos Afetos” como aconteceu nas cidades do Barreiro e Caldas da Rainha. No Arco Ribeirinho as escolas têm também uma série de atividades âncora de modo a dar dimensão comunitária às atividades escolares relacionadas com a educação para a saúde. Estão neste âmbito a realização de exposições, de vários tipos e temas, Jornadas e formação de professores.

b. Atividades de iniciativa isolada – são as atividades promovidas por entidades aderentes à “Cidade dos Afetos” de forma isolada ou em grupo e que utilizando a simbologia da “Cidade dos Afetos” lembram aos cidadãos a condição da sua cidade e promovem os valores da “Cidade dos Afetos”. São exemplos disso as caminhadas promovidas por três Farmácias nas Caldas da Rainha ou a Associação Nós no Barreiro.


4. Potencialidades de desenvolvimento

As potencialidades derivam diretamente da capacidade de atração que o conceito demonstra por parte de vários parceiros comunitários e da criatividade que demonstrem para, na sua área de intervenção na comunidade, desenvolverem atividades que se alinhem com o espírito e os valores da “Cidade dos Afetos”.

Para que esta potencialidade possa ser posta no terreno basta que a nível municipal os promotores, Câmara Municipal e Delegado de Saúde encontrem um programa de intervenção e mobilização dos parceiros.

Para se poder avaliar da amplitude do conceito basta fazer uma listagem sumária de entidades que aderiram e de iniciativas promovidas:

a. As escolas, que são os motores locais de desenvolvimento do projeto, com as maçãs dos afetos, as exposições de artes, as iniciativas relacionadas com o exercício e o movimento. Iniciaram também a hora do abraço que se alargou posteriormente à comunidade.

b. Os serviços de Saúde desenvolvendo o abraço diário, marchas regulares dos técnicos e cidadãos, ou outras formas de os envolver na gestão das suas doenças numa relação de proximidade com os respetivos técnicos.

c. Pastelarias que criaram bolos que juntam maçãs e mais baixas calorias.

d. Uma Adega Cooperativa que vai criar uma edição especial vinho dos Afetos.

e. Hipermercado que comemorou o Dia dos Afetos com oferta duma fatia do grande bolo dos afetos aos seus clientes.

f. Cabeleireiros e perfumarias que fizeram promoções na semana dos afetos.

O futuro passará por transformar atividades esporádicas em comportamentos do dia-a-dia e esse é o desafio que se nos coloca.

©2018 Cidade dos Afetos

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